Idéias Diárias

Este será o espaço onde irei expor textos de todos os tipos, em sua grande maioria escritos por mim, mas também haverá algumas pérolas de outros autores, letras de música, diálogos de filmes, matérias de toda ordem, enfim um espaço cultural moderno.

Idéias Diárias

Este será o espaço onde irei expor textos de todos os tipos, em sua grande maioria escritos por mim, mas também haverá algumas pérolas de outros autores, letras de música, diálogos de filmes, matérias de toda ordem, enfim um espaço cultural moderno.
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Arquivo de: 2007

03.05.07

Muito cansado

Estou cansado demais para perder meu tempo tentando escrever qualquer coisa que faça qualquer pessoa sentir-se melhor do que eu. Estou cansado demais para citar motivos pelos quais as pessoas não devem se cansar de suas vidas. Estou cansado demais e isso tem um motivo. Estou cansado porque cansei de estar cansado de não fazer nada. Estou cansado simplesmente de deixar de acordar tarde. Estou cansado porque a noite passada não consegui dormir direito. Estou cansado e ainda lembro de escrever algumas linhas pensando no meu cansaço de estar longe do que mais quero alcançar. Estou cansado de correr atrás do nada, cansado de fazer de tudo, cansado de ser mais um, cansado de não ser nenhum. Estou cansado demais para explicar as razões da minha descrença, cansado pois já é hora de recolher meus papéis e deixar que o novo dia chegue e me canse ainda mais. Estou cansado de esperar o amanhã inconsciente, gostaria de passar as horas não apenas dormindo, mas sonhando. Mas estou cansado para tentar descobrir como faço para sonhar de novo. Estou cansado de misturar sonhos com a realidade, e cansado da minha realidade ser tão cansativa. Estou cansado do hoje, cansado de encarar as coisas com tamanha disposição para em seguida cansar-me novamente. Estou cansado de não saber por que cansei de ouvir conselhos noturnos. Cansado de me magoar, cansado de chorar, cansado de beber até cansar. Estou cansado de me indignar, cansado de protestar, cansado de estar cansado. Agora chega, cansei!

26.04.07

Reflexão da noite

A relatividade da vida é algo assombroso. A diversidade de emoções por que passamos no decorrer cada dia, cada noite, é imensa. A estupidez das nossas idéias muitas vezes quebra nossa razão, nos levando a lugares desconhecidos que nos deixam com medo e receio. A sinceridade de nossas mentiras acaba nos enganando, nos confrontamos com os nossos sonhos e frustrações dia após dia. A mediocridade das nossas vidas reflete a mesquinhez de nossas atitudes, o nosso egoísmo é uma ferramenta que nos destrói aos poucos, e a inveja nos corrompe a ponto de dirigirmos nossas vidas a caminhos perdidos. A incapacidade de nos rebelarmos mantém aprisionados nossos desejos de algo novo, algo diferente do trivial. Então surge a comodidade, mostrando que dá para continuar da mesma forma, deixando tudo andar naturalmente sem a nossa influência. Os dias passam lentamente, a inércia parece imperar, e quem aparece dessa vez é a indignação. E o ciclo se renova, tudo se repete. As mesmas pessoas nos criticam, as mesmas nos abraçam, os que se dizem nossos amigos ainda nos procuram quando estamos com o bolso cheio e se afastam nos problemas, mas os verdadeiros estão sempre lá. E isso nos dá força em meio à louca confusão do dia-a-dia. A nossa vida ainda é uma estrada de perguntas sem respostas, mas há algumas pessoas nas calçadas com quem podemos contar.

Tolo

Você não deve sentir medo de nada neste mundo, não há nada nem ninguém capaz de te controlar que você não tenha como confrontar, enfrentar, seja com palavras, seja com ações. Só estou tentando chegar ao texto ideal, o lugar que quero estar não é em meio às polêmicas, só quero uma companhia para discutir essa noite. Paro para refletir e acho que somos todos tolos por nos preocuparmos de uma forma exacerbada, não deveríamos sentir receio... Mas ao mesmo tempo creio que o que devemos fazer é nos unir para aproveitarmos as nossas capacidades com alguma racionalidade, expor nossas idéias e tentar algo mais, só não podemos desistir no meio do caminho.

Você pode ser um tolo a vida toda, deixar que manipulem sua vida, controlem o mundo, ditem regras absurdas, aumentem impostos, roubem sua honra... Mas há outros caminhos, você pode se envolver, querendo ou não é necessário estar inteirado aos acontecimentos mundanos, é uma forma de ser parte de tudo, não deseje ser o centro das atenções, mas tente ser ouvido, dê sua opinião sem medo, você tem esse direito. Tantas pessoas lutaram por uma liberdade, mas o que parece algumas vezes é que não usamos essa liberdade da maneira certa, pelo contrário, muitos confundem liberdade com impunidade e então as coisas começam a dar errado. Alguns, motivados por essa sensação de impunidade, começam a sentir-se reis, donos do mundo e da razão, e nós, tolos, permitimos isso porque não somos capazes de passarmos da linha da indignação, somos apenas marionetes controladas por senhores de ternos e carros pretos. Eu estou tentando me livrar das amarras invisíveis, a única forma que encontrei de externar minhas angústias é assim, escrevendo... Não deixo de ser um tolo, talvez por acreditar que um dia possa fazer algo mais, ou por crer que há solução para cada problema. Mantenho minha esperança e meus textos, mas ainda sou um tolo.

25.04.07

Para sempre

Ela sentia saudades, ele sentia vontade de beber e esquecer. Ela procurava pelas fotos, ele encontrou uma garrafa. Cada um à sua maneira pensava no outro. Ela, deitada na cama, ria das fotos em que aparecia junto a ele e aos amigos. Ele, sentado à mesa, começava a remexer seus pensamentos enquanto bebia um uísque que sobrou da última festa em sua casa. Chorando, ela desiste de revirar o passado, a noite chega com força, porém não o suficiente para fazê-la adormecer e parar de chorar. Embriagado, ele não lembra o que tentava esquecer quando começou a encher a cara, a noite segue e tudo ao redor parece diferente. Após horas lamentando, ela finalmente começa a sonhar. Depois de secar a garrafa, ele tenta levantar-se, mas cai e acaba dormindo no chão da sala. O dia amanhece, ela vai até o banheiro e sofre ao ver seu rosto ainda marcado pelas lágrimas da noite passada, encontra uma das fotos sobre a cama e pensa em rasgá-la. Não consegue, falta-lhe coragem. Ao meio-dia ele acorda com dores por todo o corpo e uma forte enxaqueca. Vai até o quarto procurar por um remédio e depara-se com uma lembrança do primeiro encontro, um guardanapo de papel em que se lia: “para sempre, amor”. Ainda um pouco ébrio, sai decidido a ir à casa dela. Mais uma vez sozinha em sua cama, ela tenta não pensar em nada. A campainha toca. Ela decide não abrir, não quer ver ninguém... Do lado de fora, ele começa a perder a esperança. Sem saber por que, ela levanta-se e vai atender a porta. Ao abrir, vê ele, segurando um pedaço de papel nas mãos e com os olhos cheios de água. Ela não diz nada, apenas sorri. Ele estende a mão e mostra o pequeno papel a ela, que fica sem ação. Ele aproxima-se devagar. Ela fecha os olhos e imagina que ainda está sonhando. Eles se abraçam e dizem: ”para sempre, amor”

24.04.07

Lágrimas

Mais uma vez não pude evitar, mais uma vez demonstrei toda a minha fraqueza diante de meus medos, mais uma vez me deixei cair e me entreguei ao sofrimento. Aquele velho problema volta a acontecer, o mar de rosas se transforma em espinheiro e o que parecia sereno e tranqüilo sofre uma mutação, virando desespero. Me sinto como se estivesse em um deserto, perdido, procurando por qualquer resto de água, qualquer coisa que possa amenizar a dor que sinto por estar vivendo na morada do diabo nas últimas horas. Aos poucos, e bem devagar, sinto uma leve brisa tentando apaziguar todo o calor infernal que se estabeleceu em minha vida. Mais uma vez não sei como lidar com situações adversas, mais uma vez me deixo levar pela maré, me afogando nos meus lamentos. Aquela velha idéia volta a me assombrar e sinto que não tenho mais medo de encarar o escuro, talvez esteja até pronto para a última dança, talvez o tempo não exista mais, por isso não quero perceber as horas passarem, as lágrimas rolarem, os meus temores consumirem aquela ponta de esperança que teima em sobreviver acesa em meu coração. Mais uma vez exponho meus sentimentos para que ninguém entenda além de mim, mais uma vez discuto com a pessoa que menos me entende, mais uma vez volto para casa sem entender por que choro quando fico sozinho. Mais uma vez os lamentos são maioria e ainda assim, mais uma vez, eu supero as adversidades com a mesma facilidade com que escrevo estas palavras. Mais uma vez fico pensando em por que penso tanto, e de novo descubro que não concordo em nada comigo. Mais uma vez vejo tudo se repetir e repito a mim mesmo que não tornarei a repetir os velhos erros. Mais uma vez não sei colocar fim aos meios, e no início parecia tão complicado. Mais uma vez embriago minhas idéias em dúzias de cervejas tentando mais uma vez ficar ébrio para simplesmente parar. Mais uma vez a ressaca aparece e mais uma vez não lembro por que estava pensando tanta bobagem. Mais uma vez discuto comigo por fazer da maneira certa a coisa errada e mais uma vez me admiro por conseguir chegar aonde quero sem sair para lugar algum. Mais uma vez chega o fim e dessa vez é hora de parar.