25.04.07
Para sempre
Ela sentia saudades, ele sentia vontade de beber e esquecer. Ela procurava pelas fotos, ele encontrou uma garrafa. Cada um à sua maneira pensava no outro. Ela, deitada na cama, ria das fotos em que aparecia junto a ele e aos amigos. Ele, sentado à mesa, começava a remexer seus pensamentos enquanto bebia um uísque que sobrou da última festa em sua casa. Chorando, ela desiste de revirar o passado, a noite chega com força, porém não o suficiente para fazê-la adormecer e parar de chorar. Embriagado, ele não lembra o que tentava esquecer quando começou a encher a cara, a noite segue e tudo ao redor parece diferente. Após horas lamentando, ela finalmente começa a sonhar. Depois de secar a garrafa, ele tenta levantar-se, mas cai e acaba dormindo no chão da sala. O dia amanhece, ela vai até o banheiro e sofre ao ver seu rosto ainda marcado pelas lágrimas da noite passada, encontra uma das fotos sobre a cama e pensa em rasgá-la. Não consegue, falta-lhe coragem. Ao meio-dia ele acorda com dores por todo o corpo e uma forte enxaqueca. Vai até o quarto procurar por um remédio e depara-se com uma lembrança do primeiro encontro, um guardanapo de papel em que se lia: “para sempre, amor”. Ainda um pouco ébrio, sai decidido a ir à casa dela. Mais uma vez sozinha em sua cama, ela tenta não pensar em nada. A campainha toca. Ela decide não abrir, não quer ver ninguém... Do lado de fora, ele começa a perder a esperança. Sem saber por que, ela levanta-se e vai atender a porta. Ao abrir, vê ele, segurando um pedaço de papel nas mãos e com os olhos cheios de água. Ela não diz nada, apenas sorri. Ele estende a mão e mostra o pequeno papel a ela, que fica sem ação. Ele aproxima-se devagar. Ela fecha os olhos e imagina que ainda está sonhando. Eles se abraçam e dizem: ”para sempre, amor”