24.04.07
Lágrimas
Mais uma vez não pude evitar, mais uma vez demonstrei toda a minha fraqueza diante de meus medos, mais uma vez me deixei cair e me entreguei ao sofrimento. Aquele velho problema volta a acontecer, o mar de rosas se transforma em espinheiro e o que parecia sereno e tranqüilo sofre uma mutação, virando desespero. Me sinto como se estivesse em um deserto, perdido, procurando por qualquer resto de água, qualquer coisa que possa amenizar a dor que sinto por estar vivendo na morada do diabo nas últimas horas. Aos poucos, e bem devagar, sinto uma leve brisa tentando apaziguar todo o calor infernal que se estabeleceu em minha vida. Mais uma vez não sei como lidar com situações adversas, mais uma vez me deixo levar pela maré, me afogando nos meus lamentos. Aquela velha idéia volta a me assombrar e sinto que não tenho mais medo de encarar o escuro, talvez esteja até pronto para a última dança, talvez o tempo não exista mais, por isso não quero perceber as horas passarem, as lágrimas rolarem, os meus temores consumirem aquela ponta de esperança que teima em sobreviver acesa em meu coração. Mais uma vez exponho meus sentimentos para que ninguém entenda além de mim, mais uma vez discuto com a pessoa que menos me entende, mais uma vez volto para casa sem entender por que choro quando fico sozinho. Mais uma vez os lamentos são maioria e ainda assim, mais uma vez, eu supero as adversidades com a mesma facilidade com que escrevo estas palavras. Mais uma vez fico pensando em por que penso tanto, e de novo descubro que não concordo em nada comigo. Mais uma vez vejo tudo se repetir e repito a mim mesmo que não tornarei a repetir os velhos erros. Mais uma vez não sei colocar fim aos meios, e no início parecia tão complicado. Mais uma vez embriago minhas idéias em dúzias de cervejas tentando mais uma vez ficar ébrio para simplesmente parar. Mais uma vez a ressaca aparece e mais uma vez não lembro por que estava pensando tanta bobagem. Mais uma vez discuto comigo por fazer da maneira certa a coisa errada e mais uma vez me admiro por conseguir chegar aonde quero sem sair para lugar algum. Mais uma vez chega o fim e dessa vez é hora de parar.